sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Olhos meus

me olho no espelho
admiro meu próprio reflexo
reparo na minha pele
meus olhos
minhas linhas de expressão

a quanto tempo eu não me olhava?
a quanto tempo eu fugia da minha própria imagem?

no dia-a-dia a gente olha o outro
cuida do outro
pensa no outro
esquece de si

mas hoje não
hoje eu estou olhando pra mim


olhando as curvas do meu corpo
as ondas do meu cabelo
as cores dos meus pêlos
as (in)perfeições que me fazem única

eu já odiei a mim mesma
hoje eu amo cada molécula do que sou

minha alegria
minha dança
meus prazeres
meu eu

terça-feira, 2 de julho de 2019

Reflexão do meio.19

Oi amigo leitor, gosto de te ver por aqui!
Cara amiga, você também!

Se tu veio no blog hoje na expectativa de ler mais um das minhas poesias gramaticalmente mal estruturadas, cê me desculpa, mas hoje o espaço vai ser usado pr'otra coisa.

É que esse ano de 2019 tem me ensinado uma coisa muito importante e achei que era justo compartilhar com você também... Vai que te serve pra alguma coisa, né?

Já te digo de antemão que existe a possibilidade desse texto não ser muito conclusivo.

Bom, assim como 99,999999% do que eu escrevo, a reflexão é sobre relacionamentos e como eu me sinto hoje.

Esse ano eu finalmente entendi uma coisa que pode parecer óbvia, mas que nunca imaginei que fosse algo tão difícil de compreender. Depois de passar por diversas situações, enfim entendi que:

~ Quando uma pessoa pede que você
guarde seus sentimentos pra si, essa pessoa
não merece te-los. ~

A partir do momento que você se vê em uma relação em que é forçado a mudar o seu jeito de ser para se "adequar" à alguém, por ínfimo que seja, significa que você está no lugar errado e com a pessoa errada.

Muitas vezes nos forçamos em relações que parecem perfeitas, mas que na verdade serão apenas mais um gatilho para a uma série de inseguranças e frustrações.

Você se vê omitindo desejos, opiniões, sentimentos...

Acredito que ter clareza e sair dessas situações é o que chamamos de amor próprio. O amor mais difícil de se conquistar e que precisa ser alimentado quase que diariamente.

Hoje, especificamente hoje, eu entendi que amar também é saber a hora de partir. Amar não somente à si mesmo, mas também ao próximo. Que minimizar mágoas é te respeito por todos os sentimentos envolvidos. 

Esses dias eu ouvi um rap (Engatilhadas - Lívia Cruz) que diz o seguinte:

Já pensou em sua vida? 
Só tu sabe a caminhada. 
Ninguém pode te julgar 
e se julgar não pega nada. 
Entenda que amor próprio
é de você pra você mesma.
Nós por nós nessa parada 
onde a vitória é a recompensa.

O amor próprio é de você pra você mesma.

Essa manhã acordei pensando :
"Do que adianta me trazer até a praia mais linda da minha vida, com um oceano azul turquesa, se tu me segura pela mão e me pede pra brincar no raso? Eu quero mergulhar, eu quero ir à fundo, me perder na imensidão desse azul. Se for pra viver esse meio termo, com os pés fincados na areia, prefiro sentar na praia e admirar de longe o pôr do sol."

Sentimentos superficiais não me atraem.

domingo, 2 de junho de 2019

Já não sei

Por dentro eu te vi, por fora eu já não sei mais
Meu coração bate desacelerado, diferente da primeira vez
O sono me perturba, eu já não sei que horas são
Quantas horas eu dormi
Na cama, em mim, em nós
Meus pensamentos continuam buscando por você
Mas por fora minhas pernas pernanecem fincadas no chão
Não quero mais nada disso
Não suporto mais nada disso
Quero correr para o mais longe que eu consiga ir

A vida me grita, pede pra eu me concentrar
O tempo está passando
Só queria saber o que mais resta pra mim esse ano





A morte, talvez?

domingo, 3 de março de 2019

Procurando por mim

Há um tempo eu venho me procurando, tudo parece tão complicado
Amigos, trabalho, amores... Nada  parece ser real. Nada parece estar certo
Eu ando ando ando e pareço não sair do lugar.
Vejo as pessoas entrando e saindo da minha vida, 
Deixando um pouco de si, levando um pouco de mim.

Deixando suas loucuras
Levando minha sanidade.

Não sei exatamente em que momento eu me perdi
Soltei o barbante que me ajudava a sair dessa confusão
Uma floresta de sentimentos que me fazem ajoelhar no chão e torcer pra que alguém me encontre e me ajude a sair dali.

Quando foi que eu passei a acreditar cegamente nas pessoas?

Eu grito pelo meu próprio nome. Procuro incansavelmente por mim mesma.
Ninguém responde. Eu não me ouço.
Meus pés parecem estar cravados no chão, não alcanço meus próprios pensamentos.


A floresta parece se fechar cada vez mais, não sei se vou conseguir sair.
Sequer sobreviver ao meu próprio desaparecimento.




terça-feira, 20 de junho de 2017

O caminhar

Palavras soltas no ar
Silêncios que vêm e vão
O vento leva o que não quis ficar
Bagunça o que aqui restou

O vazio de um sentimento
Que inseguro tenta caminhar
Apoiando-se nas palavras soltas
Aquelas que as vezes o-impede de avançar

Caminha vagarosamente
Tateando tudo ao seu redor
Fugindo do medo de amar
E do passado que lhe machucou

Não sabe onde quer chegar
Não tem mais planos
E nem sabe o que esperar

Deixa-se bagunçar pelo vento
Pelo tempo
Abre-se para um novo caminho
Sendo seguido pelo medo
Ainda se sente sozinho

Seu vazio parece nunca acabar
As palavras parecem nunca pousar
Nada parece seguro
Mas o sentimento continua a caminhar

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Cabeça a mil. Tem horas que parece que não dá pra explicar. Turbilhões de sentimentos que se dissipam e depois voltam a se misturar. As vezes saudades. As vezes tristeza. As vezes amor. As vezes alegria. As vezes ciúmes. As vezes frustração. As vezes orgulho. As vezes realização. As vezes tantas outras coisas. Naturalmente confusa. Naturalmente um enigma para mim mesma. Difícil entender. Lugar diferente. Pessoas diferentes. Idiomas diferentes. Rotinas diferentes. Temperaturas diferentes. Sentimentos diferentes. Vontades diferentes. Sonhos diferentes. Linguagem da fala. Linguagem do corpo. Linguagem dos olhos. As vezes da mímica. Diferente. Minha mente divaga por diversos ambientes que minha imaginação me leva à viajar. Meu corpo flutua em uma órbita incomum. Tem horas que dá vontade de falar: Para! Me deixa sentar um pouco, quero respirar. Tem horas que da vontade de falar: Vamos lá! Tenho muito mais à presenciar! Vamos correr! Vamos gritar! Vamos viver tudo quanto é possível! Sentir como me escapasse pelas mãos a autonomia de diversas escolhas, mas que, ao mesmo tempo, fosse me dado folego para decisão de tantas outras. Rosto e fala transparentes que me impedem de disfarçar as percepções, tudo aquilo que me borbulha no peito. Não sei dizer se é bom ou ruim. Sorrio. Observo. Ignoro. Falo. Perco a linha de raciocínio. Começo a reflexão outra vez.

Montpellier, França. 2015