sábado, 3 de agosto de 2013

O lago

E ao andar pela estrada avistei um lago. Límpido e majestoso lago.
Um azul sem igual, impossível não querer ir até ele.

Que mal há em querer ver de perto tão belo lago? Bom, talvez eu devesse simplesmente seguir minha estrada, com minha chave no bolso, mas... e se eu parasse só um pouquinho pra ver o lago? Ok, vou até lá.

Agora... e se eu me sentar em sua borda e colocar um pé ou dois? Não há problema... Isso, isso! Vou me descalçar e colocar os pés na água, relaxar um pouco! Afinal... ninguém é de ferro.

Ah! Que agradável... Água boa, geladinha... aconchegante. Talvez eu pudesse nadar um pouco. Depois de tanto dirigir, todo mundo merece uma folguinha, não é mesmo?
Pronto! Vou sentar aqui próximo a beira, metade do corpo na água já é mais do que o suficiente!

Hmm... Que beleza! Eu passaria numa boa o resto da minha vida aqui dentro.
Sinto algo de leve me tocar e me beliscar, mas tudo bem... Está tão gostoso aqui dentro que, sinceramente e tranquilamente, eu me permitiria ser envolvida e levada até seu centro...

-

Opa, o que é isso? O que está acontecendo? Estou sendo puxada para o fundo!!! Por quem estou sendo puxada? Quem faria tal crueldade?

Oh, lago traidor! Você me atraiu até aqui, para isso? ISSO? Pretende me afogar?

Agarrada; presa; afogada.

Eis que, o belo e límpido lago se tornou o meu pior pesadelo. Poderia-se dizer que, de tão belo e agradável, eu estava a me apaixonar. Mas quem diria que seria ele o ceifador minha alma, de meus sonhos, de meu destino.

Eu devia, devia ter seguido minha estrada.
Simplesmente seguido minha estrada.

(Texto de 03/08/2013 - publicado apenas  no facebook)