
Sentimentos obscuros, sentimentos abstratos. É fácil sentir alguma coisa por alguma coisa, por alguém, ou por si próprio. Porém complicado é saber denominar e diferenciar tal sentimento de alguns outros.
Eu já vi muitos autores e poetas fazendo inúmeras explicações do que é o amor, do que é a paixão, e do que é um simples carinho, por assim dizer. No entanto, até onde eles estão certos ou errados? Eu acho muito mais difícil explicar um sentimento, do que apenas senti-lo.
Sentir, fácil. Explicar, difícil.
É como se houvesse certa reviravolta na minha cabeça, fazendo com que eu entrasse em um estado de êxtase, e sensações rodeassem o meu corpo, mente e espírito. E em questões de segundos, nada mais fizesse muito sentido... Ou pelo contrário, tudo passasse a ter um significado diferente.
Isso em momentos de alegria, fúria, tristeza, romantismo...
Romantismo. Esse é o ponto. O ponto que me atravessa a mente, que me faz perder todo o sentido e tato do mundo. É como se me tirassem os pés do chão, e a partir daí eu precisasse de algo para me sustentar. Mas... O que é estar apaixonado? Ou amando?
De acordo com o dicionário, romance é “Narração histórica em versos simples.” Simples? Pra mim isso é muito mais do que complicado, é complexo.
É tão incomodo quando eu quero expor algo que se move dentro de mim, mas não ter palavras e argumentos o suficiente que possa até mesmo me convencer do que é esse algo. Até porque, muitas vezes, eu mesma não sei formular frases o suficiente que possam fazer isso, exatamente pelo fato de não ter idéia do que seja.
Sinto, penso; Sinto, reflito; Sinto, questiono; Sinto, concluo; Sinto, desconcluo; Sinto, simplesmente sinto.
Porém, sabe quando você quer muito fazer uma coisa? Uma coisa que, alias, você sempre quer fazer? Pois é, ai que está o meu problema. Eu tenho a mania de querer dar nome aos meus sentimentos, entretanto na maioria das vezes não tenho êxito em tal tarefa.
Uma palavra, ou mesmo duas, já seria o suficiente para mim. Já me satisfaria. Mas por que elas não saem? Parece tão difícil? Não? Mas é! Como pode não existir uma maneira fácil de explicar alguma coisa? Deveria ser algo que aparece em nossa mente, e instantaneamente surge uma denominação para ela. Muitas vezes eu apenas “chuto” o que suponho ser. ‘Hum, nesse momento da minha vida eu estou apaixonada’; ‘Uau, estou amando’; ‘Ah, é só carinho...’. Mas tem vezes que o sentimento é maior do que eu mesma imagino, e o mesmo para sentimentos menores do que o esperado.
Sentir o coração palpitar, o sorriso se abrir, as mãos suarem, as pernas bambearem, a voz falhar, olhos brilharem... O que significa tudo isso? E sentir ciúmes, de uma forma inocente? O medo de perder algo ou alguém que se faz importante em minha vida.
Sentir saudades de forma involuntária. Saudade? Do latim solitas, -atis, solidão.
Solidão. Sentir saudades é o mesmo que se sentir só? Pensando assim, me vêm àquela velha frase clichê que diz que saudade é se sentir só, mesmo em meio à multidão.
Apenas sinto saudade do que tem valor para mim. Lembranças e desejos que muitas vezes me fazem suspirar, aspirar, apetecer.
Suspirar me faz lembrar o ponto do romantismo. Aquele que me enlouquece. Como algo assim pode ser tão bom, e ao mesmo tempo tão traiçoeiro? Não sei. O medo de mágoas vem em meio ao turbilhão de sensações, das quais não é possível obter uma dedução ou desfecho.
Talvez seja mais fácil tentar me controlar, e simplesmente deixar as coisas acontecerem de uma forma natural. Coisas essas que digo, são os sentimentos. Pois quanto às outras, nada acontece se não tivermos iniciativas.
Existem tantas coisas nesse mundo que nos tiram do chão, figurativamente falando. Sentir coisas inexplicáveis não é algo ruim, pelo contrário, é algo delicioso. Só penso que seria mais interessante se eu pudesse defini-lo, entende-lo, e designá-lo.